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Militância e afoxé: banda Afro Axé Dudu, cria do movimento negro, faz show gratuito na orla de Mosqueiro | G1

Com repertório dedicado aos orixás e à beleza negra amazônica, grupo histórico da arte negra da Amazônia apresenta show gratuito neste domingo, 6, no Festival Afro Maré.

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Fazendo da música ferramenta na luta contra o racismo na Amazônia, mulheres negras com mais de 70 anos dividem o palco com filhos de militantes do movimento negro paraense no show que a Banda Afro Axé Dudu apresenta neste domingo (6), no Festival Afro Maré, no Caramanchão do Chapéu Virado, em Mosqueiro, distrito de Belém . Com entrada gratuita, o evento começa às 12h.

No encontro entre vozes veteranas e uma percussão formada também pela nova geração, a banda mantém uma história iniciada nas ruas de Belém. Em 1987, integrantes do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) criaram o Bloco Afro Axé Dudu para ocupar o carnaval da cidade com referências aos orixás, dança afro, figurinos e músicas de enfrentamento ao racismo.

“Essa visibilidade era importante para firmar a resistência antirracista, cantando e emanando alegria, com músicas e uma construção cênica, formada por figurinos e dança afro, que saudavam os orixás e exaltavam a cultura afro-brasileira na Amazônia”, explica.

“O que permanece desse momento é a potência combativa e a difusão da beleza negra, hoje com mulheres com mais de 70 anos à frente e com a continuidade dos filhos do Axé Dudu. A musicalidade segue como um instrumento de combate ao racismo no Pará ”, afirma Bruna Suellen, produtora da banda.

No Festival Afro Maré, o Axé Dudu apresentará um repertório preparado especialmente para o evento. A seleção reúne músicas ligadas aos orixás e à valorização da população negra amazônica.

“ Nosso repertório foi pensado especialmente para o festival e vem carregado de fé em nossos orixás e de enaltecimento da nossa beleza negra amazônica. O público de Mosqueiro pode esperar um show elaborado, vibrante e com qualidade percussiva afro-brasileira ”, adianta a produtora.

A banda integra uma programação formada por diferentes expressões musicais e culturais produzidas no Pará. Também estão entre as atrações Flow Cabano, DJ Nayty Show, Estação Carimbó, Os Quentes da Madrugada, Moqueio Tupinambá e Odé Lomi . O festival terá ainda batalhas de rima e breaking e um concurso de tecnobrega.

A relação com o movimento negro permanece na formação e no repertório. As canções abordam identidade, ancestralidade, religiosidade de matriz africana, beleza negra e enfrentamento ao racismo. A percussão afro-brasileira conduz as apresentações e estabelece a ligação entre a trajetória do bloco e o trabalho desenvolvido atualmente pela banda.

Ao longo dos 28 anos no formato atual, o Axé Dudu gravou dois discos de estúdio e um trabalho ao vivo. O grupo também realizou produções audiovisuais e participou da elaboração de cartilhas antirracistas.

“Achamos importante que as pessoas conheçam nossa história por meio dos documentos audiovisuais. Eles foram feitos em forma de cinema de guerrilha e mostram um pouco da história do movimento negro no Pará, que se confunde com a nossa, mas também deixa margem para que sejam criadas novas formas de viver a luta e o combate ao racismo”, diz Bruna.

Local: Caramanchão do Chapéu Virado, em Mosqueiro

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Saturday, October 10, 2026

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