Rochelle Jordan fala sobre Beyoncé, Liniker e estreia no Brasil: 'Vou dar o meu melhor para as garotas' | G1
Cantora canadense, que mistura R&B com drum and bass e house, se apresenta no Zig Festival neste sábado (11). Leia entrevista dela ao g1.
Rochelle Jordan vem ao Brasil para o Zig Festival — Foto: Divulgação
Quem nunca ouviu "Through the Wall", álbum de Rochelle Jordan, está perdendo música dançante de altíssima qualidade. A artista canadense vem ao Brasil pela primeira vez neste sábado (10), para o Zig Festival, que conta com a americana Slayyyter e a dupla Haute & Freddy entre as atrações.
Rochelle traz uma música de pista que dá para chamar de "chique". Há anos, a artista mescla vocais e elementos de R&B com batidas de drum and bass, house e UK garage para criar seu repertório.
Em resenhas internacionais, seu trabalho costuma aparecer junto de expressões como "à frente do seu tempo".
"Sempre estou ouvindo o que já foi para poder criar o que será. É assim que vejo as coisas", disse a canadense ao g1 .
Rochelle começou a compor ainda adolescente e lançou várias mixtapes nos anos 2010. O primeiro disco dela, "1021", veio em 2014. Na época, ela não se deu bem com o contrato de gravadora, passou por problemas de saúde e ficou fora por um tempo.
Sete anos depois, a artista voltou pra valer com o disco "Play With The Changes" (2021), que já explorava vertentes da dance music.
Rochelle explica que se espelha em artistas "diferentes e vanguardistas", como a dupla Neptunes e as cantoras Kelis e Aaliyah. "No início, eu dizia [ao produtor KLSH]: 'Me dê a sua batida mais estranha', e conseguia escrever em cima disso".
"Acho que essa fundação central de tentarmos coisas novas e sermos destemidos é o que nos trouxe até aqui. (...) Nós seguimos os passos de pensar: o que podemos fazer que seja fora da caixa, mas ainda assim acessível? Como isso soa para nós?".
Cantora canadense Rochelle Jordan vem ao Brasil para o Zig Festival — Foto: Divulgação
"Depois de cada álbum que fazemos, eu fico pensando: 'Acho que nunca mais vou escrever uma música, esse foi o meu melhor trabalho, isso nunca mais vai acontecer'. Eu passo por esse estágio estranho de me sentir assim, mas sabe de uma coisa? Fica melhor a cada vez".
A julgar pela recepção, de fato tem ficado cada vez melhor. "Play With The Changes" apareceu em várias listas de "melhores do ano". Seu sucessor, "Through the Wall" (2025), foi ainda mais elogiado.
Tudo isso tem rendido: neste ano, Rochelle foi convidada para fazer um remix de Mariah Carey em uma edição colaborativa do disco "Glitter". Circula por aí que ela esteve entre as inspirações de Madonna na criação do álbum "Confessions II".
Rochelle não sabe dizer se isso procede, mas acredita, sim, que seu trabalho tenha influência no pop — inclusive no "Renaissance", de Beyoncé, que ela define como "álbum absolutamente incrível da diva de uma geração".
"Sinto que, na minha mente, o 'Play with the Changes' tocou muitas pessoas em termos de influência. Acho que há muito crédito para aquele álbum porque ele encorajou a mente da diáspora negra a entender que você pode ser um vocalista de R&B e contar uma história em cima de uma batida de drum and bass ou de house. Obviamente, se voltarmos a Cevin Fisher, Robin S, Corona e Crystal Waters, era isso o que eles faziam, mas isso se perdeu por um bom tempo."
"Acredito verdadeiramente que o 'Play with the Changes' focou nisso e acordou grande parte da indústria. Então, quando ouvi o 'Renaissance' depois disso, pensei: 'Será que [o meu álbum] tocou a Beyoncé?' Possivelmente, ou pelo menos motivou a ideia. E não há nada de errado com isso, é lindo, porque é uma retomada desse som, já que as pessoas negras foram as que iniciaram o movimento house e disco. Então, pertence a nós tocá-lo".
Se Rochelle influenciou algo no trabalho de Beyoncé, a diva pop a inspirou de volta. "Fiquei muito motivada ao ouvir a Beyoncé fazer seu grande trabalho na música house com o 'Renaissance' e depois veio o 'Through the Wall'. Mas o 'Through the Wall' também foi feito ouvindo novamente Anita Baker e Aaliyah. Eu sempre crio a partir dessa base. Até mesmo sobre a Beyoncé, penso no álbum 'Dangerously in Love'. Sempre estou ouvindo o que já foi para criar o que será".
'Ápice da animação' para vinda ao Brasil
Para sua estreia no Brasil, Rochelle está para lá de ansiosa. Ao descobrir que o Zig Festival pertence à Zig, principal balada LGBTQ+ de São Paulo, Rochelle ficou ainda mais animada: "Tenho que dar o meu melhor para as garotas!".
Rochelle Jordan no clipe de 'Doing It Too' — Foto: Divulgação
Os planos dela por aqui incluem encontrar Liniker, a quem ela conheceu em um festival na Holanda, há alguns meses. "Ela é uma vocalista maravilhosa, deslumbrante e uma artista excepcional. E está arrasando", diz.
Mais do que isso, Rochelle quer descobrir nossa música ("gostaria de usar o Shazam e criar minha própria playlist", conta) e a nossa comida.
"Me lembra a comida caribenha que cresci comendo: amo as bananas da terra, amo o modo como vocês cozinham o frango, amo os feijões, o arroz, gosto de tudo. Sinto que é um espelho da cultura em que cresci", conta a artista, de família jamaicana.
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