Evento gratuito em Sarapuí une esporte e história neste domingo | G1
Evento gratuito terá duas opções de trajeto pela zona rural do município. Os trajetos buscam unir esporte e turismo rural. Os ciclistas passarão por propriedades e cerca de 25 capelas históricas.
A Prefeitura de Sarapuí (SP) promove, neste domingo (6), a 1ª edição da Ciclorrota da Fé com dois percursos pela zona rural do município: um de 23 quilômetros e outro de 79 quilômetros. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo site .
A proposta é unir esporte, turismo e cultura, permitindo que moradores e visitantes conheçam paisagens rurais, propriedades, áreas de mata e pontos históricos da cidade. A largada será às 8h30, em frente à Igreja Matriz Nossa Senhora das Dores.
Ao g1 , Marcio José Ricardo Sturaro, diretor municipal de Sarapuí, disse que os dois trajetos foram pensados para atender diferentes perfis de participantes.
"O percurso de 23 km é uma opção mais curta para quem está começando ou não está acostumado a percorrer longas distâncias. Já o percurso de 79 km oferece um desafio maior para quem busca uma experiência mais longa de ciclismo."
Além da diferença de distância, os caminhos também são distintos. O percurso mais longo passa por um número maior de bairros e pontos de interesse, incluindo capelas e igrejas históricas espalhadas pela zona rural.
"O passeio é uma oportunidade de apresentar Sarapuí por meio de seus caminhos rurais, sua história e seus espaços de importância cultural. Muitas das capelas e igrejas encontradas pelo trajeto têm mais de 100 anos e fazem parte da história das comunidades do município", explica Sturaro.
Capela São Roque, de 1932, em Sarapuí, é um dos pontos visitados durante o trajeto — Foto: Prefeitura de Sarapuí/Divulgação
Ao todo, cerca de 25 igrejas e capelas podem ser observadas ao longo dos percursos, embora a quantidade varie de acordo com o trajeto escolhido .
"Uma equipe acompanhará o percurso e auxiliará na orientação dos participantes. Algumas capelas estarão diretamente no caminho e poderão ser identificadas durante o trajeto. Já aquelas localizadas fora da rota principal serão indicadas, permitindo que cada participante decida se deseja fazer o desvio para conhecê-las", relata o diretor municipal.
Igrejas e capelas podem ser observadas ao longo dos percursos percorridos de bicicleta em Sarapuí (SP) — Foto: Prefeitura de Sarapuí/Divulgação
Além das construções religiosas, os ciclistas terão contato com diferentes características da vida rural de Sarapuí, como propriedades, animais, áreas de cultivo, casarões antigos e estabelecimentos existentes ao longo das estradas.
"O município está inserido predominantemente no bioma Mata Atlântica, com áreas de transição entre a Mata Atlântica e o Cerrado. Durante o trajeto, os participantes poderão observar áreas de mata, estradas rurais, regiões próximas a cursos d'água e outras paisagens naturais", detalha Maurício.
Evento de ciclismo em Sarapuí (SP) passará por propriedades rurais e construções religiosas — Foto: Prefeitura de Sarapuí/Divulgação
A prefeitura informou que uma equipe da administração municipal estará presente durante o percurso para orientar os participantes. O trajeto será sinalizado e contará com indicações dos principais pontos de interesse e locais de parada.
Todos os ciclistas receberão uma medalha ao final do percurso.
Os participantes também podem doar 1 litro de leite, que será arrecadado pela organização e encaminhado ao Fundo Social de Solidariedade de Sarapuí. Os donativos serão destinados a famílias que necessitam de assistência.
Segundo a prefeitura, a proposta surgiu a partir da ideia de utilizar o ciclismo como uma maneira de conhecer e valorizar diferentes regiões de Sarapuí, especialmente os caminhos e atrativos existentes na zona rural.
"Sarapuí faz parte da região turística Veredas da Mata Atlântica, que trabalha com a proposta de fortalecer o turismo regional e desenvolver roteiros que integrem os municípios da região. O percurso utiliza esses espaços como pontos de interesse, unindo a prática esportiva ao conhecimento da história e da cultura local", comenta o diretor municipal.
O evento não integra, ainda, um programa estadual específico. Segundo a prefeitura, a iniciativa foi criada pelo próprio município após a administração observar projetos semelhantes desenvolvidos por outras cidades da região turística.
Percurso mais longo passa por um número maior de bairros e pontos de interesse, incluindo capelas e igrejas históricas espalhadas pela zona rural de Sarapuí (SP) — Foto: Prefeitura de Sarapuí/Divulgação
De acordo com a prefeitura, o município vem adotando medidas para ampliar sua participação no cenário turístico regional e nacional.
Entre as ações estão a criação de uma estrutura específica para o turismo, com assessor da área, e a previsão de um cargo efetivo de tecnólogo em turismo, por meio de concurso público.
O município também encaminhou a documentação necessária para buscar o título de Município de Interesse Turístico (MIT) junto à Secretaria de Turismo e Viagens. Sarapuí também integra o Mapa do Turismo Brasileiro, do Ministério do Turismo.
Sarapuí tem quase um búfalo para cada dois moradores — Foto: Divulgação/Prefeitura de Sarapuí
Além da Ciclorrota, a administração mantém iniciativas como o projeto Pé na Roça, Boia Cross, Feira Livre, Feira da Lua e Festival do Búfalo.
"Também está sendo desenvolvido um trabalho de resgate do patrimônio histórico, com destaque para o casario colonial e a história relacionada ao tropeirismo. Outros levantamentos e ações de resgate histórico também estão sendo estudados, incluindo aspectos da história religiosa ligada a João de Camargo e a história das comunidades quilombolas e do caxambu no bairro dos Cocaes", concluiu o diretor municipal.
Município de Sarapuí (SP) realiza torneio de pesca — Foto: Divulgação/Prefeitura Municipal de Sarapuí
No Centro de Sarapuí, os três imóveis ficam a apenas 600 metros de distância um do outro. O primeiro, localizado na Rua Doutor Cerqueira César, foi construído por imigrantes alemães e tem cerca de 126 anos. O segundo, na Rua Doutor Luiz Vergueiro, existe há 111 anos e foi utilizado como casa paroquial. Já o terceiro, na Rua Quintino Bocaiúva, foi erguido há mais de 140 anos.
O casarão na região central de Sarapuí foi construído entre 1850 e 1870 — Foto: João Paulo Netto/Arquivo pessoal
O professor, pesquisador e arquiteto Igor Chaves, de Itapetininga (SP), explica que os casarões precisam ser preservados, estudados e registrados, principalmente para que as novas gerações possam conhecer e compreender melhor o passado da cidade.
"A preservação de prédios históricos é fundamental não apenas por seu valor arquitetônico ou estético, mas sobretudo por aquilo que representam: são testemunhos vivos da história, das memórias coletivas e das formas de vida que moldaram a identidade de nossa cidade", apontou.
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