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Sunday, September 27, 2026

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Pérola encontrada em salgado em SP: saiba o valor real da joia | G1

Esfera encontrada em Cananéia (SP) não passou por avaliação gemológica. Especialistas apontam que ela ainda está em formação; entenda quais critérios determinam o valor.

· 861 words

A pérola encontrada por uma personal trainer enquanto ela comia um salgado feito com ostra em Cananéia, no litoral de São Paulo, talvez nem ultrapasse os R$ 50, segundo o biólogo Ricardo Samelo, ouvido pelo g1 . Para ele, porém, a raridade das circunstâncias do achado chama mais atenção do que o possível valor da peça.

A pequena esfera não passou por uma avaliação gemológica, mas profissionais ouvidos pela reportagem apontam, a partir das imagens, indícios de que seja uma pérola irregular ainda em formação. Para determinar o valor de um exemplar, são considerados critérios específicos, que incluem tamanho, formato, cor e lustre.

O caso aconteceu no domingo (20), depois que Carina Lisboa, de 41 anos, e o aluno Jordinei Francisca pararam para almoçar após uma caminhada . A personal havia sido convidada pela proprietária do restaurante Ponto das Ostras, no Centro da cidade, para experimentar um novo prato preparado com a ostra exótica Saccostrea cucullata.

Após analisar imagens do achado, Samelo explicou que a esfera apresenta características de uma pérola barroca, nome dado às pérolas de formato irregular. "As pérolas irregulares são chamadas de pérolas barrocas e não costumam ser caras. Uma única pérola talvez nem ultrapasse R$ 50", afirmou.

O valor de uma pérola, no entanto, não pode ser definido apenas pelo formato. O Gemological Institute of America (GIA), instituto norte-americano especializado em pesquisa e avaliação de gemas, estabelece sete fatores para determinar o valor geral de pérolas naturais ou cultivadas e de joias.

Pérola foi encontrada em um prato servido em um restaurante de Cananéia — Foto: Arquivo Pessoal

De acordo com o GIA, os sete fatores considerados são:

Tamanho: quando as demais características são equivalentes, pérolas maiores são mais raras e valiosas do que as menores do mesmo tipo;

Formato: entre as cultivadas, a redonda é a mais difícil de produzir e, em condições equivalentes, geralmente a mais valiosa. Pérolas barrocas, porém, também podem ser valorizadas;

Cor: são consideradas a cor predominante e outras tonalidades e efeitos visuais. Oferta, procura, moda e tradições culturais também podem influenciar o valor;

Lustre: corresponde à qualidade da reflexão da luz e pode ser, segundo o GIA, o mais importante dos sete fatores;

Superfície: riscos, rugas e outras irregularidades podem reduzir o valor quando são numerosas ou intensas;

Nácar: a qualidade das camadas que formam a pérola está diretamente relacionada ao lustre e também influencia a durabilidade;

Uniformidade: considerada principalmente em joias com mais de uma pérola, avalia o quanto elas combinam em características como tamanho, formato, cor e lustre.

Pérola encontrada dentro de ostra durante o passeio — Foto: Flávia Mantovani/G1

O termo "barroca" é usado para descrever pérolas de formato irregular. Portanto, essa característica, sozinha, não determina quanto um exemplar vale.

O GIA explica que, entre as pérolas cultivadas, as redondas são mais raras e geralmente mais valiosas quando os demais fatores são equivalentes. O instituto ressalta, porém, que exemplares barrocos bem formados também podem ser valorizados.

No caso da esfera encontrada por Carina, não houve uma avaliação gemológica para determinar o valor ou classificá-la formalmente. A partir das imagens, especialistas ouvidos pelo g1 apontaram características compatíveis com uma pérola irregular ainda em formação.

Para Samelo, a peculiaridade do episódio está principalmente nas circunstâncias do achado.

"O evento se torna interessante mais pela raridade. Encontrar uma pérola enquanto se alimenta de uma ostra é algo inusitado, fato que certamente será lembrado para sempre pelas pessoas envolvidas. Não se trata de valor, e sim de uma história para contar", afirmou o biólogo.

Os biólogos Alex Ribeiro e Ricardo Samelo explicaram ao g1 que as pérolas são formadas por um mecanismo de defesa de moluscos bivalves, como ostras e mexilhões.

Segundo Samelo, o processo começa quando um corpo estranho invade o organismo e é isolado pelo animal com um revestimento que recebe novas camadas ao longo do tempo.

O GIA explica que o nácar é uma substância produzida por determinados moluscos e depositada em camadas durante a formação da pérola. A interação da luz com essas camadas contribui para os efeitos ópticos característicos das pérolas.

Nas pérolas cultivadas, o processo é iniciado intencionalmente pelo ser humano. Dependendo da técnica, pode ser introduzido no molusco um pequeno pedaço de tecido do manto ou um núcleo acompanhado desse tecido, dando início ao mesmo processo biológico envolvido na formação das pérolas naturais.

Carina sentiu algo duro ao morder o salgado e, inicialmente, pensou que tivesse quebrado um dente. "Dei uma mordida e senti uma coisa dura. Eu falei: 'Nossa, acho que quebrei o meu dente, deve ter um pedaço de ostra aqui dentro'. Aí comecei a mexer e vi que tinha uma bolinha, que não tinha sido dente", relembrou.

O prato havia sido criado para o 1º Festival GastroMangue, promovido pela prefeitura com apoio da Universidade Estadual Paulista (Unesp). A iniciativa propôs a criação de receitas com a Saccostrea cucullata, espécie originária da Ásia e considerada invasora por disputar espaço com espécies nativas na região.

A proprietária do restaurante, Paula Monteiro, afirmou que foi a primeira vez que um cliente encontrou uma esfera semelhante a uma pérola em 18 anos de comércio. Carina pretende transformar o achado em um brinco de ponto de luz.

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