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Friday, August 28, 2026

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Quem é Luana Lopes Lara, a bilionária self-made mais jovem do mundo | G1

Cofundadora da Kalshi, brasileira de 30 anos tem fortuna estimada em R$ 13,4 bilhões e lidera o grupo de mulheres que construíram patrimônio por conta própria.

· 837 words

A brasileira Luana Lopes Lara, de 30 anos, cofundadora e diretora de operações da plataforma de previsões Kalshi, é a mulher mais jovem do Brasil a construir a própria fortuna e se tornar bilionária , segundo o ranking da Forbes divulgado nesta sexta-feira (28).

Cofundadora e diretora de operações da Kalshi, ela tem patrimônio estimado em US$ 2,6 bilhões (R$ 13,4 bilhões) e cerca de 12% de participação na empresa.

🔎 A Kalshi funciona como uma espécie de "bolsa de apostas" sobre eventos futuros. Nela, as pessoas compram e vendem contratos baseados em perguntas simples, como "Vai acontecer ou não?", relacionadas a diversos temas, incluindo guerras, mudanças climáticas e eleições.

Luana passou a liderar o grupo de mulheres bilionárias que construíram a própria fortuna após a Kalshi captar US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) em uma rodada de investimentos no fim de 2025.

A rodada foi liderada pela Paradigm, empresa de investimentos focada em criptomoedas, e contou com a participação de investidores como Sequoia Capital, Andreessen Horowitz e Y Combinator.

Segundo a Forbes, o valor de mercado da Kalshi cresceu mais de cinco vezes no ano passado, passando de US$ 2 bilhões (R$ 10,2 bilhões) em junho para US$ 11 bilhões (R$ 55,9 bilhões) em dezembro.

Com a valorização da empresa, a fortuna dos cofundadores também cresceu. Além de Luana, o sócio Tarek Mansour passou a integrar a lista de bilionários.

Quem é Luana Lara e como surgiu a Kalshi

Luana Lopes Lara, cofundadora da Kalshi. — Foto: Reprodução/Instagram

Formada em ciência da computação pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Lara nasceu no Brasil na segunda metade dos anos 1990. Ainda estudante, conquistou medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia e medalha de bronze na Olimpíada Catarinense de Matemática.

Luana também estudou na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil e trabalhou como bailarina profissional na Áustria por nove meses após concluir o ensino médio. Depois, mudou-se para os Estados Unidos para cursar a faculdade.

No MIT, ela conheceu o sócio, Tarek Mansour. Ainda na faculdade, os dois passaram pelo mercado financeiro: Mansour trabalhou no Goldman Sachs, e Lara, na gestora Bridgewater.

Nesse período, os dois perceberam que muitas decisões financeiras se baseavam em previsões sobre eventos futuros , mas que não havia uma forma direta de negociar com base nos resultados desses acontecimentos.

Em 2018, Luana e Mansour fundaram a Kalshi com a proposta de criar uma plataforma para negociar contratos baseados no resultado de eventos específicos.

Em 2020, a empresa recebeu autorização regulatória e se tornou a primeira bolsa totalmente regulamentada dos EUA para contratos ligados a eventos.

A Kalshi foi reconhecida como “Mercado de Contratos Designado” (DCM) pela Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), uma das principais agências reguladoras do mercado americano.

Com o reconhecimento, passou a integrar a mesma categoria regulatória de bolsas tradicionais como a Chicago Mercantile Exchange (CME) e a Intercontinental Exchange (ICE).

Em 2024, a empresa solicitou autorização à CFTC para oferecer contratos ligados a eventos eleitorais, mas o pedido foi negado. O argumento foi que haveria risco de manipulação e prejuízo à integridade das eleições nos EUA.

A Kalshi recorreu à Justiça. Um tribunal federal deu ganho de causa à empresa, que se tornou a primeira plataforma totalmente regulamentada a oferecer legalmente negociações ligadas a resultados eleitorais nos EUA.

Em entrevista à CNBC, Mansour, presidente da Kalshi, afirmou que a empresa avalia realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) no fim de 2027 ou no início de 2028.

Em julho, a plataforma anunciou que passou a oferecer contratos sobre ensaios clínicos e decisões regulatórias da agência de alimentos e medicamentos dos EUA (FDA).

Durante a Copa do Mundo, a Kalshi registrou US$ 27 bilhões (R$ 137,1 bilhões) em volume de negociações e alcançou a marca de três milhões de usuários durante o torneio, segundo a Reuters.

O crescimento dos mercados de previsão ao redor do mundo aumentou a discussão sobre se essas plataformas devem ser tratadas como mercados financeiros ou como empresas de apostas e jogos de azar. A Kalshi está no centro desse debate.

Só neste ano, pelo menos quatro estados americanos tentaram impedir a atuação da companhia em seus territórios, alegando que a plataforma operava um negócio ilegal de jogos de azar.

O caso mais recente envolve o procurador-geral de Nova York, que processou a plataforma no fim de julho sob a alegação de que a empresa viola as leis estaduais contra jogos de azar.

A Espanha também bloqueou o site da Kalshi sob a alegação de que a plataforma operava sem licença para jogos de azar.

No Brasil, o governo bloqueou, em abril, a Kalshi e outras 26 plataformas que oferecem previsões relacionadas a eventos esportivos, jogos online e temas políticos, eleitorais, sociais, culturais ou de entretenimento.

Segundo integrantes do governo, a medida busca evitar a consolidação de um novo mercado de apostas sem supervisão. A avaliação é que esse tipo de plataforma expõe os brasileiros a riscos financeiros e opera em desacordo com a legislação do país.

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