Dólar opera em queda, com foco em decisões de juros nos EUA e no Brasil | G1
Na véspera, a moeda americana subiu 0,14%, cotada a R$ 5,1543. Já a bolsa brasileira avançou 0,54%, aos 186.503 pontos.
O dólar opera em queda nesta quarta-feira (16), com um recuo de 0,10% perto das 9h45, cotado a R$ 5,1492 . Já as negociações do Ibovespa , principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.
O destaque da sessão fica com a Superquarta, dia em que os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos decidem as taxas de juros de seus respectivos países. O quadro político também fica no radar, após o julgamento histórico no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
▶️ No Brasil, as atenções ficam com o Comitê de Política Monetária (Copom). O mercado projeta que o colegiado decidirá pelo quinto corte seguido da Selic, de 14% para 13,75% ao ano . Caso o patamar se confirme, a taxa básica atingirá o menor patamar desde março de 2025. O anúncio do Banco Central acontecerá após o fechamento dos mercados.
▶️ Já para os EUA , a maior parte do mercado estima que o Federal Reserve ( Fed , o banco central americano) deve elevar as taxas básicas do país pela primeira vez em mais de três anos.
Juros americanos mais altos costumam retirar recursos de países emergentes, como o Brasil, o que tende a pressionar a bolsa brasileira. A maior demanda por dólar também contribui para a valorização da moeda americana frente a outras divisas, como o real.
▶️ No cenário político, o foco fica com a repercussão da crise no STF. Na sessão histórica que aconteceu na véspera para julgar o caso Moraes-Vorcaro trouxe, o plenário discutiu, pela primeira vez, sobre a possibilidade de abrir uma investigação contra um integrante da própria Corte. Marcado por embates, o julgamento terminou sem uma decisão. Veja em 10 pontos como foi a sessão.
▶️ No noticiário corporativo, os investidores continuam a acompanhar as discussões sobre o futuro da IA , após executivos defenderem uma desaceleração no avanço da tecnologia para tornar os desenvolvimentos mais seguros.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
O Supremo Tribunal Federal (STF) teve na terça-feira (15) uma sessão histórica. Pela primeira vez, o plenário discutiu a possibilidade de abrir uma investigação contra um integrante da própria Corte. O julgamento, marcado por embates entre os ministros, terminou sem uma decisão.
Um pedido de vista de Flávio Dino suspendeu a análise antes mesmo de o STF entrar no mérito sobre a abertura ou não de investigação contra Alexandre de Moraes por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo um relatório da Polícia Federal, o ministro e o ex-banqueiro trocaram 52 mensagens entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025 — dia em que Vorcaro foi preso pela primeira vez. Na época, o Banco Master já era alvo de investigações.
Nas mensagens, Vorcaro pede orientação jurídica, marca encontros com Moraes e ajuda para se proteger de investigações.
Após pedido de vista (mais tempo para análise) do ministro Flávio Dino, o STF interrompeu a sessão sem definir como julgará os casos de Moraes e Mendonça. Até o momento, o placar é de 4 a 3 pela análise separada das condutas de Alexandre de Moraes, na relação com Daniel Vorcaro, e de André Mendonça, na condução da relatoria do caso Master.
As decisões de juros do BC e do Fed são o principal destaque da sessão. No Brasil, a expectativa é que o Copom faça mais um corte da taxa básica (Selic), de 0,25 ponto percentual (p.p.), levando os juros para o patamar de 13,75% ao ano, no menor nível desde janeiro do ano passado.
O movimento acompanha a desaceleração nos preços de inflação. Nesta semana, por exemplo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE ) indicou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu 0,32% em agosto, na maior queda de preços desde 2022.
No Boletim Focus desta semana, o mercado financeiro também reduziu sua estimativa de inflação e para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, reforçando a perspectiva de que o BC reduza os juros.
Já nos EUA, a maioria do mercado estima que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) interrompa a manutenção e decida por uma nova alta de juros nesta semana, em meio às novas altas da inflação americana.
No final do mês passado, o presidente do Fed, Kevin Warsh, já havia sugerido que o BC poderia ter que aumentar os juros nos próximos meses para conter o avanço dos preços. Isso porque, segundo ele, mesmo com a melhora dos indicadores, ainda há a necessidade de cautela.
"Precisamos ter certeza de que a inflação subjacente está se movendo em direção ao nosso objetivo, de forma clara e em velocidade suficiente", disse Warsh, durante conferência anual do Fed em agosto. "Caso contrário, temos trabalho a fazer".
➡️ A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio.
Na Ásia , as bolsas chinesas fecharam em alta, impulsionadas pelos setores de tecnologia. O avanço, no entanto, foi limitado, já que investidores também aguardavam a nova decisão de juros do Fed.
O SSEC , índice de Xangai, subiu 0,7%, assim como o CSI300 , que reúne as maiores empresas das bolsas de Xangai e Shenzhen, que também teve ganhos de 0,7%. Já o Hang Seng, de Hong Kong , avançou 0,19%.
Entre os demais mercados da região, o índice Nikkei , do Japão, subiu 0,69% e o Kospi , da Coreia do Sul, valorizou 1,37%.
* Com informações da agência de notícias Reuters.
Notas de dólar. — Foto: Luisa Gonzalez/ Reuters
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