Paulo Henrique Costa: ex-BRB cita oferta de R$ 146 mi em imóveis | G1
Negociação previa que Paulo Henrique Costa deixasse BRB e se mudasse para SP para comandar holding de Vorcaro. Lista incluía seis imóveis – dois em Brasília, e quatro na capital paulista.
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa afirmou, em depoimento à Polícia Federal , que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, se ofereceu para comprar apartamentos que ele havia escolhido em São Paulo.
Segundo a investigação , uma estrutura foi montada para que seis imóveis de alto padrão, avaliados em R$ 146,5 milhões , fossem destinados ao uso de Paulo Henrique e de familiares. Dois dos empreendimentos estão sediados em Brasília e outros quatro na capital paulista.
recebeu um convite para presidir uma nova instituição financeira que seria criada a partir das negociações envolvendo o BRB e o Banco Master.
A proposta previa que ele deixasse o cargo no BRB e passasse a trabalhar em São Paulo.
Segundo ele, foi nesse contexto que começou a procurar imóveis para morar na capital paulista.
Em uma conversa com Vorcaro, Paulo Henrique afirmou que enviou uma lista dos apartamentos de que havia gostado.
Vorcaro, segundo o depoimento, perguntou a Paulo Henrique: " Mas por que você não fica com todos?".
E, na sequência, fez a oferta: "Eu compro todos, já que você gostou. Você vai ser presidente aqui do banco. Você vai ganhar dinheiro um dia", disse Vorcaro, segundo Paulo Henrique.
O ex-presidente do BRB nega ter recebido os imóveis.
No depoimento, ele afirmou que cinco das seis aquisições não foram concluídas e que a unidade restante foi vendida a uma terceira pessoa.
O relatório da Polícia Federal, no entanto, descreve uma versão diferente da apresentada por Paulo Henrique.
Segundo os investigadores, os elementos reunidos indicam a aquisição dos imóveis teria sido uma forma de oferecer vantagem indevida ao então presidente do Banco de Brasília (BRB) em troca de supostamente facilitar os negócios entre os dois bancos.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e Presidente do BRB, Paulo Henrique Costa — Foto: Reprodução e Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília
De acordo com as investigações, como mostrou o Blog da Andréia Sadi , cerca de R$ 74 milhões foram efetivamente pagos .
O pagamento total dos valores acordados entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique não se concretizou porque o banqueiro soube "da instauração de procedimento investigatório sigiloso para apurar, exatamente, o pagamento de propina" ao ex-presidente do BRB por meio da aquisição e repasse de imóveis.
Conversas analisadas pelos investigadores indicariam que Vorcaro acompanhava a escolha das unidades, autorizava pagamentos e cobrava o andamento da estrutura para disponibilizar os bens a Paulo Henrique .
A Polícia Federal também cita mensagens de Paulo Henrique sobre um “cronograma pessoal” ajustado com Vorcaro. Esse cronograma incluiria “acertar inclusive o contrato e a moradia em SP”, além de verificar se os imóveis continuavam “dentro do que tinham combinado” .
Paulo Henrique Costa afirmou que o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), pediu que ele estruturasse uma operação de venda do BRB ao Banco Master, de Daniel Vorcaro .
Segundo Paulo Henrique, o pedido foi feito durante um jantar na casa de Vorcaro, em 24 de setembro de 2024. Ele afirmou que foi convocado para o encontro pelo gabinete do governador e que tentou evitar a reunião porque estava viajando.
De acordo com o ex-presidente do BRB, durante o encontro, Ibaneis pediu: "Paulo, estrutura uma venda do BRB para o Master".
🚨Em dado momento das transações, a operação foi invertida: os executivos passaram a negociar uma tentativa do BRB de comprar o Banco Master ( veja abaixo ).
🚨O negócio foi anunciado e chegou a receber aval da Câmara do DF, mas foi barrado pelo Banco Central dias antes da liquidação do Banco Master e da operação Compliance Zero.
A Polícia Federal conclui um dos relatórios afirmando que "o Banco Master passou a integrar, de forma indireta, a estrutura acionária do BRB".
"[...] mediante utilização de fundos de investimento (notadamente Borneo, Verbier E Delta), estruturados com o propósito de ocultar o beneficiário final e evitar a caracterização formal de controle ou participação qualificada".
Ainda sobre a participação de Ibaneis, a PF conclui que decisões estratégicas da relação BRB-Master eram submetidas à apreciação do então governador "antes mesmo de deliberação pelos órgãos formais de governança, evidenciando centralização decisória e interferência política direta na condução da instituição financeira pública".
"Tal atuação é indicativa de captura institucional, na medida em que a estrutura de decisão do banco foi alinhada a interesses específicos, em detrimento dos princípios de impessoalidade, moralidade e interesse público", conclui a PF.
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