Nobel de Economia 2026 vai para Robert E. Hall e Michael Woodford | G1
O anúncio foi feito nesta segunda-feira (12) pela Academia Real das Ciências da Suécia, responsável pelo prêmio. Estudos mostram como as decisões de famílias e empresas devem ser consideradas nas políticas de estabilização.
O Nobel de Economia de 2026 foi concedido aos economistas Robert E. Hall e Michael Woodford por seus estudos sobre as bases microeconômicas da estabilização macroeconômica.
O anúncio foi feito nesta segunda-feira (12) pela Academia Real das Ciências da Suécia, responsável pela premiação. Os vencedores vão dividir 12 milhões de coroas suecas (US$ 1,2 milhão).
Segundo a entidade, os dois laureados desenvolveram modelos que ajudam governos e bancos centrais a reduzir as oscilações da economia . Seus estudos mostram como medidas relacionadas aos juros, aos gastos públicos e aos impostos, quando adotadas no momento certo, podem amenizar crises e conter períodos de crescimento excessivo.
“Com eles, estamos mais preparados para lidar com choques na economia, como crises energéticas ou mudanças repentinas no consumo das famílias", afirmou John Hassler, presidente do Comitê do Prêmio de Ciências Econômicas, em comunicado.
Robert E. Hall nasceu em 1943, em Palo Alto, nos Estados Unidos, e é professor da Universidade de Stanford. Concluiu seu doutorado em Economia no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) em 1967.
Michael Woodford nasceu em 1955, em Chicopee, também nos EUA, e é professor da Universidade de Columbia. Ele também fez doutorado em Economia no MIT, concluído em 1983.
“É uma honra tremenda e uma surpresa”, disse Woodford, por telefone, durante a transmissão do anúncio.
Uma das principais contribuições dos premiados é mostrar que, para formular políticas de estabilização mais eficazes, é preciso considerar como famílias e empresas tomam decisões e o que esperam do futuro.
“As autoridades não deveriam encarar a estabilização da economia como uma tarefa em que basta acionar alavancas para controlar a atividade econômica, sem considerar como as pessoas entendem essas medidas”, disse Woodford.
A economia alterna períodos de retração e de crescimento. Desde que o economista John Maynard Keynes apresentou suas teorias, há quase um século, as chamadas políticas de estabilização ganharam importância para lidar com essas oscilações.
A ideia é que, em períodos de recessão, medidas como a redução dos juros e o aumento dos gastos públicos ou a redução de impostos possam estimular a atividade econômica. Quando a economia está aquecida demais, medidas no sentido contrário podem ajudar a conter as pressões sobre os preços.
Mas, durante as crises do petróleo dos anos 1970, os modelos baseados nas ideias de Keynes passaram a ser questionados. As políticas de estímulo tinham dificuldade para reduzir o desemprego sem agravar a inflação, em um cenário de forte alta dos custos de energia.
Nobel de Economia 2026 vai para Robert E. Hall e Michael Woodford — Foto: Reprodução/Nobel Prize
O Ocidente viveu uma década de baixo crescimento, desemprego elevado e inflação alta. Muitos passaram a acreditar que as políticas de estabilização tinham causado mais prejuízos do que benefícios e deveriam ser abandonadas.
Hall e Woodford foram premiados por mostrar como reformular os modelos econômicos para orientar políticas de estabilização mais eficazes. O ponto de partida foi entender melhor como famílias e empresas tomam decisões e como essas escolhas afetam a economia como um todo.
Os modelos anteriores mostravam relações estatísticas entre indicadores de inflação, produção e consumo, mas não explicavam com clareza os mecanismos por trás desses resultados. Para superar essa limitação, os pesquisadores incorporaram o comportamento de consumidores e empresas à análise.
Hall ajudou a mostrar que o consumo das famílias depende não apenas da renda atual, mas também do que elas esperam ganhar no futuro. Uma perspectiva mais favorável pode estimular os gastos, enquanto o receio de uma queda na renda pode levar à redução do consumo.
Essa capacidade de planejar os gastos, porém, varia entre as famílias. Quem não tem poupança nem acesso a crédito depende mais diretamente do dinheiro disponível a cada mês — uma diferença que os modelos também passaram a considerar.
Woodford incorporou essas contribuições a um modelo mais amplo da economia, apresentado em um livro de 2003, que também explica como as empresas definem seus preços.
Nesse modelo, as empresas não reajustam os preços a cada mudança na demanda ou nos custos de produção, porque fazer isso também envolve despesas. Por isso, quando decidem reajustá-los, levam em conta o que esperam para os próximos meses, como possíveis altas nos valores dos insumos e nos preços dos concorrentes.
Assim, não são apenas os juros atuais que importam, mas também o que famílias e empresas esperam das próximas decisões do banco central. Uma comunicação clara e confiável sobre a política econômica pode influenciar as decisões de consumo, investimento e definição de preços.
Veja os vencedores dos últimos anos do Nobel de Economia:
2025: Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt , por seus estudos sobre crescimento econômico impulsionado pela inovação.
2024: Daron Acemoglu, Simon Johnson e James A. Robinson , por seus estudos sobre a diferença na prosperidade das nações.
2023: Claudia Goldim (Estados Unidos) , por seus estudos sobre mulheres no mercado de trabalho
2022: Ben Bernanke, Douglas Diamond e Philip Dybvig (Estados Unidos) , por seus estudos sobre bancos e sua relação com as crises financeiras.
2021: David Card, Joshua D. Angrist e Guido W. Imbens , por seus estudos para entender os efeitos de salário mínimo, imigração e educação no mercado de trabalho.
2020: Paul R. Milgrom e Robert B. Wilson (Estados Unidos) , por seus trabalhos na melhoria da teoria e invenções de novos formatos de leilões.
2019: Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer (Estados Unidos) , por seus trabalhos no combate à pobreza.
2018: William D. Nordhaus e Paul M. Romer (Estados Unidos) , por seus estudos sobre economia sustentável e crescimento econômico a longo prazo.
2017: Richard Thaler (Estados Unidos) , por sua pesquisa sobre as consequências dos mecanismos psicológicos e sociais nas decisões dos consumidores e dos investidores.
2016: Oliver Hart (Reino Unido/Estados Unidos) e Bengt Holmström (Finlândia) , por suas contribuições à teoria dos contratos.
2015: Angus Deaton (Reino Unido/Estados Unidos) por seus estudos sobre "o consumo, a pobreza e o bem-estar".
2014: Jean Tirole (França) , por sua "análise do poder do mercado e de sua regulação".
2013: Eugene Fama, Lars Peter Hansen e Robert Shiller (Estados Unidos) , por seus trabalhos sobre os mercados financeiros.
O prêmio de Economia, oficialmente chamado de "Prêmio do Banco da Suécia em Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel", foi criado em 1968 e concedido pela primeira vez em 1969.
A homenagem não fazia parte do grupo original de cinco prêmios estabelecidos pelo testamento do industrialista sueco Alfred Nobel, criador da dinamite. Os outros prêmios Nobel (Medicina, Física, Química, Literatura e Paz) foram entregues pela primeira vez em 1901.
O Nobel de Economia é o último concedido este ano. Os prêmios de Medicina, Física, Química, Literatura e Paz já foram anunciados nos últimos dias.
Embora seja o prêmio de maior prestígio para um pesquisador em economia, o prêmio não adquiriu o mesmo status das disciplinas escolhidas por Alfred Nobel em seu testamento de fundação (Medicina, Física, Química, Paz e Literatura) - seus detratores zombam dele como um "falso Nobel" que representa economistas ortodoxos e liberais.
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