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Por que as eleições mexem tanto com dólar e bolsa? | G1

O g1 analisou o comportamento do dólar e do Ibovespa desde 1994 para mostrar como eleições e crises políticas mexeram com os mercados. Especialistas explicam o que está por trás das oscilações e como investir em períodos de maior volatilidade.

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Antes mesmo de os brasileiros irem às urnas no último domingo (25), as eleições já estavam no radar dos mercados. Desde o começo do ano, foram vários os momentos de altas e baixas no dólar, na bolsa e nas taxas de juros, associados a falas de candidatos e pesquisas eleitorais.

As movimentações refletem as apostas do mercado sobre os rumos da economia no próximo governo. Não à toa, a virada do presidente Lula (PT) no 2º turno já trouxe um forte impacto para os mercados financeiros nesta segunda-feira (26).

Isso porque, além de Flávio Bolsonaro ( PL ) ter saído na frente no 1º turno das eleições, a grande maioria das pesquisas eleitorais divulgadas nas últimas semanas também apontava vantagem do candidato do PL no 2º turno.

Assim, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora recalibram suas apostas e avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas.

Oscilações de mercado. — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

“Os preços refletem expectativas sobre crescimento, inflação, juros e, no Brasil, sobretudo a trajetória fiscal”, explica o chefe de investimentos do ASA, Rogerio Freitas.

Por que as eleições mexem com dólar, bolsa e juros?

O mercado costuma sofrer grandes oscilações em momentos como esse porque tenta antecipar os efeitos que as propostas e a vitória de determinado candidato podem ter sobre a economia.

Dados históricos mostram que o Ibovespa, o dólar e os juros futuros costumam reagir com maior intensidade em períodos eleitorais e diante de notícias políticas , principalmente quando aumentam as incertezas sobre as contas públicas e os rumos da economia.

🔎 Os efeitos aparecem de formas diferentes em cada mercado. A bolsa reage às expectativas dos investidores para a economia e para o desempenho das empresas. Já o dólar responde à percepção de risco e aos movimentos de entrada e saída de recursos do país.

Recentemente, a notícia de reajuste do Bolsa Família, anunciado pelo governo Lula a 17 dias das eleições presidenciais, fez o real se desvalorizar em relação ao dólar e a bolsa brasileira cair aos 185 mil pontos, com as preocupações com o impacto do aumento do benefício sobre as contas públicas.

Da mesma forma, pesquisas eleitorais divulgadas nos últimos meses, que mostraram um avanço de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa, também tiveram repercussão nos mercados.

Em 10 de setembro, uma pesquisa que mostrou Flávio numericamente à frente de Lula ( PT ) em uma eventual disputa de segundo turno coincidiu com queda de 0,18% do dólar, a R$ 5,1026 , e alta de 1,42% do Ibovespa, aos 188.268 pontos.

Como o g1 mostrou, a vitória de Flávio era vista pelo mercado financeiro como mais favorável ao equilíbrio das contas públicas . Dessa forma, a vitória do petista traz um momento de maior estresse aos mercados financeiros, com uma forte alta do dólar e queda da bolsa na sessão.

“A volatilidade tende a crescer perto das eleições, mas os primeiros atos do eleito pesam mais que o discurso de campanha. Mas cada eleição precisa ser lida no seu próprio contexto”, diz Freitas, do ASA.

Essa maior volatilidade, no entanto, não se limita aos períodos eleitorais. O noticiário político também pode mexer com os mercados, especialmente quando envolve medidas capazes de afetar a inflação, os juros e a atividade econômica.

“Há períodos em que, mesmo diante de escândalos políticos, outros fatores pesam mais, como o fluxo de capital estrangeiro para o país”, afirma Alvaro Maia, banker da StoneX. O analista lembra que o Mensalão, em 2006, teve forte repercussão política , mas influência limitada sobre os mercados.

“Isso porque havia mais dinheiro circulando nos mercados internacionais, os bancos no exterior estavam mais dispostos a emprestar recursos, as commodities estavam em alta e as ações brasileiras eram negociadas a preços relativamente baixos em relação aos resultados das empresas. Então, a política acabou ficando um pouco em segundo plano”, explica Maia.

Abaixo, o g1 mostra o histórico das cotações do dólar e do Ibovespa desde 1994, com destaque para alguns períodos de maior oscilação. Em seguida, confira dicas para investir em momentos de maior volatilidade.

Histórico do dólar e do Ibovespa de 1994 a 2026. — Foto: Arte/g1

Como investir em momentos de volatilidade?

Na hora de investir, uma das recomendações é recorrer à renda fixa para atravessar períodos de maior volatilidade com mais segurança.

“Em um momento em que temos juros em dois dígitos, a renda fixa está especialmente atrativa. São várias opções, com destaque para os títulos públicos prefixados ou para os fundos de renda fixa”, comenta Maia.

Já Freitas, do ASA, afirma que o melhor a fazer é "manter a estratégia de longo prazo e fazer ajustes na carteira sem agir por impulso".

"Grande parte do resultado vem da forma como os investimentos são distribuídos. Diversificar, inclusive no exterior, ajuda a reduzir riscos, enquanto uma reserva de fácil acesso evita que o investidor precise vender ativos em momentos de queda. O tempo é o maior aliado”, diz.

Outro cuidado é adequar a carteira ao perfil de cada investidor e à sua tolerância ao risco. Quem tem um perfil mais conservador, por exemplo, tende a concentrar uma parcela maior dos recursos em investimentos menos sujeitos a oscilações. Já quem aceita correr mais riscos pode ter uma fatia maior em ativos como ações.

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Monday, October 26, 2026

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