Governo não espera solução rápida para tarifaço, mesmo com retomada das negociações com os EUA | G1
Governo brasileiro espera que os EUA apresentem proposta com pontos a serem negociados. Brasil e EUA marcam têm reunião marcada para a próxima segunda (31) para negociar tarifaço
Apesar da retomada das negociações sobre o tarifaço, integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não esperam uma revisão rápida das alíquotas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
🔎 No mês passado, os EUA aplicaram uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros e afirmaram que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio. Além disso, anunciaram outra sobretaxa de 12,5%, resultado de uma investigação para punir países que adotam práticas comerciais consideradas desleais por não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado (leia mais abaixo).
Segundo relatos de negociadores brasileiros, dificilmente será possível chegar a um acordo antes do fim das eleições, em outubro deste ano.
O governo brasileiro espera que os assessores do presidente dos Estados Unidos Donald Trump apresentem uma proposta com pontos a serem negociados. Ou seja, os Estados Unidos devem dizer o que esperam do Brasil para dar início às tratativas.
O comércio e as tarifas aplicadas ao etanol estavam no centro das discussões para tentar evitar o novo tarifaço de Trump.
Atualmente, o Brasil cobra uma tarifa de 18% sobre o etanol de milho importado dos EUA. Antes do novo tarifaço, os americanos aplicavam uma taxa de 12,5% sobre o etanol brasileiro.
Segundo integrantes do governo Lula que participam das negociações, o Brasil estaria disposto a um acordo para reduzir a alíquota cobrada sobre etanol norte-americano se os Estados Unidos reduzirem as barreiras à entrada de açúcar brasileiro.
Eventual acordo dependeria dos termos a serem apresentados pelos negociadores de Trump.
O mercado americano opera com cotas de importação de açúcar com tarifa reduzida. O Brasil, maior produtor mundial da commodity, pode exportar 155 mil toneladas por ano com tarifa menor — volume considerado pequeno pelo governo brasileiro.
O que ultrapassa essa cota pode ser cobrado com alíquota de 100%, segundo governo brasileiro.
Além das tarifas americanas, Brasil enfrenta barreiras de outros parceiros comerciais importantes — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, vão se reunir virtualmente na próxima segunda-feira (31), às 14h30, no horário de Brasília.
A disposição dos americanos de retomar as negociações surgiu após o telefonema realizado na semana passada entre os presidentes Lula e Donald Trump.
No encontro virtual, o governo brasileiro deve apresentar um roteiro para que a discussão seja dividida por setores. Assim, será possível aprofundar as negociações diante da realidade de cada segmento.
Por exemplo, começar por bens de capital, depois pelo setor automotivo, depois o químico.
No entanto, a reunião de segunda-feira deve ser preparatória para conversas mais técnicas e futuras novas discussões entre ministros.
Há poucas semanas, o governo brasileiro informou que deu início ao processo para aplicar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos por conta das tarifas impostas pelo governo norte-americano a produtos brasileiros.
Esse assunto deve entrar na discussão com o governo norte-americano na nova rodada de negociação.
Segundo interlocutores de Lula, o governo deve insistir que o tempo corre, tarifas estão em vigor e a lei pode ser acionada se governo achar necessário.
O discurso a ser adotado é que, se não houver um acordo nos próximos meses, o processo de análise de aplicação da lei da reciprocidade se encerra e o Brasil vai ter que decidir sobre o tema. Com isso, o país poderá aplicar tarifas sobre produtos norte-americanos.
Os Estados Unidos aplicaram neste ano duas tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.
A primeira acrescentou 25% sobre parte das exportações do Brasil após uma investigação do governo americano concluir que o país adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os Estados Unidos.
Entre os pontos citados pelos americanos estavam o Pix e a regulação de plataformas digitais.
Posteriormente, os americanos anunciaram uma segunda tarifa adicional, de 12,5%, após outra investigação comercial. Com isso, parte dos produtos brasileiros passou a enfrentar uma alíquota total de 37,5% para entrar no mercado americano.
Apesar disso, milhares de produtos ficaram de fora da cobrança adicional, incluindo itens relevantes para as exportações brasileiras, como petróleo, café e carne bovina. Já setores como calçados, máquinas, madeira e açúcar continuaram submetidos à tarifa máxima.
Agora, a aposta do governo brasileiro é que a retomada das negociações técnicas abra caminho para a ampliação da lista de exceções e para um possível acordo que reduza os efeitos do tarifaço sobre as exportações do país.
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