Durigan fala em ajuste nas contas públicas após piora do mercado | G1
BC divulgou nesta terça o 1º boletim com projeções para a economia após a reeleição de Lula. Na semana passada, índice da Bolsa, juros futuros e câmbio já haviam registrado piora.
Com a piora das expectativas do mercado financeiro, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse ter compromisso com a melhora da trajetória das contas públicas brasileiras nos próximos anos, mas sem recorrer ao que ele chamou de "narrativa fácil" da oposição
Mais cedo, nesta terça-feira, o Banco Central divulgou seu boletim semanal com projeções dos economistas dos bancos sobre a economia brasileira.
➡️Em linhas gerais, os analistas elevaram consideravelmente suas projeções de inflação, reduziram as expectativas de crescimento da economia e passaram a prever uma taxa de juros mais elevada do que antes. As estimativas para o dólar também subiram bastante.
➡️ O documento foi divulgado após expressivos ajustes registrados na semana passada em ativos brasileiros, como o índice da Bolsa de Valores, os juros futuros e o dólar, que já haviam mostrado piora após a confirmação de que Lula será presidente do país nos próximos quatro anos.
"O projeto que o presidente Lula apresentou, e saiu vitorioso das urnas, é um projeto generoso com o país, que se compromete com as diferentes classes e diferentes categorias e, ao mesmo tempo, com melhora fiscal. Esse é um grande desafio que nós vamos ter que achar: o caminho para fazer essas duas coisas, sem procurar uma narrativa fácil como o candidato perdedor fazia, ou sem apresentar projetos que não levaram a nada", disse o ministro Durigan.
▶️Analistas têm manifestado reiteradamente preocupação com a trajetória das contas públicas. Eles avaliam que os reiterados déficits fiscais dos últimos anos pressionam a taxa de juros, e consequentemente, o endividamento público.
Para baixar o juro e conter a dívida, cobram um ajuste fiscal mais forte por parte do governo.
▶️O mercado tem se mostrado reticente sobre a possibilidade de um ajuste de grande proporção e rápido nas contas públicas prometido diante dos compromissos assumidos de manter os programas sociais, de aumentar acima da inflação do salário mínimo, assim como das aposentadorias, e de não promover cortes profundos em áreas como saúde, educação.
O ministro da Fazenda tem afirmado que o objetivo da proposta do PT é de promover um ajuste gradual das contas públicas, da ordem de dois pontos do Produto Interno Bruto (PIB) , no quarto mandato do presidente Lula. Ele tem reafirmado que as contas retornarão ao azul em 2027, após permanecerem deficitárias durante todo o atual mandato de Lula.
"O que eu posso assegurar é que nós vamos seguir uma trajetória de melhorar as contas públicas do país, melhorar o resultado primário, como nós fizemos de 2023 para cá", disse o ministro da Fazenda.
"Fazendo com rigor a avaliação das políticas públicas já existentes, de não para tirar direitos, mas para garantir que o dinheiro público seja bem aplicado e olhar para os investimentos estratégicos do país, melhorando a governança do governo", completou Durigan.
Questionado por jornalistas, ele afirmou que não tem discutido a política de sucessão no Ministério da Fazenda, se haverá troca de ministro.
"Esse é o 'timing' do presidente que eu obedeço, tá? Tenho apresentado propostas, diagnósticos e propostas com críticas, algumas propostas fáceis que aparecem e reforçando a trajetória do que eu acredito, que é melhorar as condições de vida das pessoas, melhorar a condição fiscal que ajuda a melhorar a condição de vida das pessoas", concluiu.
Dario Durigan, ministro da Fazenda — Foto: Washington Costa/MF
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